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Energia eléctrica de mal a pior
Alberto Pegado
A distribuição de energia eléctrica na província de Luanda vai de mal a pior. A Edel, instituição que vela pela sua distribuição – diga-se de passagem - não tem sido capaz de satisfazer as exigências do mercado.
Os constantes cortes de energia e as reclamações, que diariamente são dirigidas à direcção daquela empresa, ilustram bem o quadro negro que paira sobre a instituição. As exigências actuais do mercado obrigam a um funcionamento dinâmico e eficaz, por forma a não defraudar os milhares de consumidores, tendo em conta a importância que a energia joga na solução de vários problemas, quer de ordem particular, quer para o funcionamento normal de empresas, fábricas, instituições, etc, etc.
Em Luanda, existem áreas que estão privadas de energia eléctrica há mais de dez anos, o que obriga a que os munícipes optem por práticas pouco dignas, como a famosa “puxada” clandestina. Alguns, com maior possibilidade, recorrem à compra de geradores.
Este tipo de comportamento tem como base o facto de a Edel não possuir condições que permitam que a rede eléctrica se estenda a todas áreas desta urbe. Observa-se, assim, que a maior parte das residências, sobretudo as localizadas nos bairros suburbanos, continuam às escuras.
Por exemplo, parte do município do Rangel, particularmente as ruas da Dona Amália, Ambaca, Lama e outras ficaram penalizadas durante anos. A situação só se restabeleceu há coisa de 12 meses.
Os funcionários da Edel, em troca de valores, efectuam ligações anárquicas a determinadas residências, sem que o interessado tenha contrato. Em consequência, nota-se uma certa sobrecarga e a qualidade da energia já não é a mesma, tal como na altura da ligação à rede.
Perante este quadro, e se a situação prevalecer, as ruas ora citadas poderão, nos próximos dias, ficar de novo às escuras. Um caso que já começa a preocupar os consumidores legais da Edel, que nada faz para, de uma vez por todas, combater este mal.
A direcção da Edel não faz sequer a mínima ideia da gravidade dos danos que tem causado com as constantes oscilações na rede eléctrica. A verdade é que muitos consumidores perde(ra)m os seus electrodomésticos. Se houvesse justiça, a empresa seria responsabilizada por tais actos.
Outro aspecto que achamos absurdo relaciona-se com o processamento dos cortes de energia aos consumidores devedores. A política utilizada acaba por afectar todos aqueles que fazem parte da linha do infractor, mesmo tendo as contas em dia.
É ponto assente que ninguém está sujeito a pagar pelo erro dos outros, o crime não é transmissível. Infelizmente, é assim que a Edel tem agido.
A outra questão que salta à vista prende-se com a forma como são efectuadas as cobranças do consumo da energia eléctrica. Neste particular, a Edel peca bastante, na medida em que a mesma é feita com base em estimativas, por a maior parte das residências não possuírem contadores.
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