pub
 

Campanha e política

José Ribeiro |

   Se o eleitorado tivesse de votar em projectos e propostas políticas consentâneas com a realidade nacional, as eleições estariam à partida decididas.
   À excepção do MPLA, que se esforça por fazer chegar ao público um programa político com cabeça, tronco e membros, a campanha eleitoral está caracterizada por um amontoado de fantasias despojado de propostas alternativas. 
   O partido que proclamou a independência, abriu o país ao regime democrático e à economia de mercado, dá estabilidade à governação e organizou eleições de maneira exemplar, mostra deter uma visão sólida de Estado que não encontra paralelo. 
   Para recorrer à linguagem olímpica, a avaliação que se faz do modo como as formações políticas se prepararam para a competição eleitoral, obriga a dizer que, apesar do “avanço” que receberam do partido no poder, com todas as oportunidades e facilidades para se organizarem, o balanço do que foi até aqui apresentado é confrangedor.
  
    A regra de ouro da luta política, que se traduz na apresentação de soluções para os problemas nacionais através do debate franco e construtivo de ideias, parece descredibilizada 

   O partido que proclamou a independência, abriu o país ao regime democrático e à economia de mercado, dá estabilidade à governação e organizou eleições de maneira exemplar, mostra deter uma visão sólida de Estado que não encontra paralelo.

por um jogo de principiantes. A simples repetição de palavras de ordem, de um “jingle” mais ou menos bem conseguido ou a transmissão de imagens de charcos e buracos nas ruas das cidades, pode ser insuficiente para mobilizar o eleitorado e conquistar votos. 
   É claro que a produção audiovisual de algumas formações políticas foi entregue a jovens na idade e imaturos na preparação política. A sua criatividade está menos em causa do que a percepção e o profissionalismo. Algumas produ-ções assemelham-se aos jogos de luzes que animam as discotecas frequentadas pela juventude ou a trabalhos de escola. 
   Espaço onde melhor se expressa a qualidade (ou falta dela) dos dirigentes dos partidos políticos que temos, os tempos de antena mostram que não se domina o elementar da política. E quando falta o estudo e escasseiam as propostas, o normal é transformar o espaço político em lugar de provocação e de desvirtuamento do sentido do combate eleitoral e do dever de engrandecimento nacional. É o que acontece com as formações constituídas por jovens.
   
   Quanto aos tradicionais, a FNLA continua igual a si mesma e a UNITA apostada na mensagem para o exterior. 
   Para quem defende que acima de tudo estão os angolanos, não se percebe porque Samakuva trouxe a Angola personalidades estrangeiras para anunciar o projecto “Angola sem Fome”, com que pretende marcar a próxima legislatura se vencer as eleições. Entre os convidados, estavam membros do antigo “lobby” da UNITA em Portugal. Samakuva sabe que eles se encarregarão de continuar a espalhar no mundo a imagem falsa de que Angola é um país de miséria e corrupção. Samakuva não se importou também de confirmar que o seu projecto foi “copiado” do estrangeiro (o Rendimento Mínimo Garantido, de Portugal?). As coisas boas são para “copiar”, disse ele. Assim se vê como é difícil compatibilizar as palavras com os actos políticos.

Seu navegador não suporta plug-in

  

Opinião | Colunas | Política | Economia | Sociedade | Regiões | Cultura
Roteiro
| Desporto | Especial | Entrevista | Suplementos

Procure:

Leia aqui...

 
 

Secções

Copyright © 2002 Jornal de Angola - Todos os direitos reservados