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Sida pode fazer 45 milhões de vítimas em 8 anos
Pelo menos 45 milhões de pessoas em todo o mundo serão infectadas pelo vírus da Sida nos próximos oito anos, caso biliões de dólares não sejam investidos no combate à doença.
O alerta foi dado pelas Nações Unidas e pelo Grupo de Trabalho em HIV, às vésperas da 14ª Conferência Mundial da Sida, que começa amanhã em Barcelona, na Espanha.
De acordo com o Grupo de Trabalho em HIV, a tragédia da África subsahariana, que possui o maior número de pessoas com Sida do mundo, pode repetir-se caso “algumas lições não sejam aprendidas” pelos demais países do mundo.
O grupo desenvolveu um relatório com dicas para ajudar Governos a reduzir as infecções por HIV.
A pesquisa, publicada na revista médica britânica The Lancet, foi divulgada três dias depois que um relatório do Onusida, o programa de Sida da ONU, previu que 68 milhões de pessoas podem morrer de Sida até 2020.
A última pesquisa mostra o que acontecerá se trabalhos de prevenção eficazes não forem realizados. Actualmente, 4 milhões de pessoas são infectadas pelo HIV anualmente.
Sem nenhuma intervenção, este número pode chegar a cinco milhões já em 2007.
Mas se programas eficazes forem implementados, o número de novos casos de infecção pode cair para 1,5 milhão por ano. Em 2010, isso representaria 28 milhões de novas infecções.
O pior cenário, no entanto, prevê 45 milhões de novos infectados, a maior parte sem acesso aos medicamentos retrovirais, usados para controlar a doença.
David Serwadda, da Universidade de Makerere, no Uganda, é um dos colaboradores do estudo.
Ele diz que as autoridades da saúde fracassaram em combater a doença no seu estágio inicial, evitando a infecção, na África subsahariana.
“Agora estamos a pagar o preço”, acredita.
“Mas ainda temos a oportunidade de livrar gerações futuras da Sida em África, e evitar epidemias semelhantes à africana em países como Índia, Rússia e China”, explica.
Seria possível, diz o relatório, reduzir o número de infecções realizando mais programas de prevenção - como distribuição de camisinhas, promovendo campanhas mais agressivas na mídia e desenvolvendo mais programas nas escolas.
Além disso, o relatório aponta a necessidade de se investir biliões de dólares no desenvolvimento de vacinas e pesquisas básicas na estrutura do vírus HIV .
Outro objectivo destacado pelo documento deve ser um maior envolvimento de políticos no desenvolvimento de estratégias de combate ao vírus.
“Enquanto nós ampliamos a pesquisa noutras áreas, como o desenvolvimento de vacinas, nós precisamos trabalhar com as técnicas de prevenção existentes”, explica Helene Gayle, que também participou da elaboração do relatório.
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