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Embaixador americano destaca trabalho de educação cívica eleitoral


Os Estados Unidos da América acreditam que Angola vai dar, em Setembro, uma lição ao mundo de como realizar boas eleições. De acordo com o seu embaixador no país, Dan Mozena, os EUA, que hoje comemoram 232 anos de independência, vão observar as eleições legislativas, tendo para o efeito elaborado já um plano de observação eleitoral.


EUA acreditam em boas eleições

Os Estados Unidos da América vão observar as eleições legislativas marcadas para o dia 5 de Setembro próximo. A garantia é do embaixador daquele país em Angola, Dan Mozena. O diplomata garante que existe já um plano de observação eleitoral, onde ele próprio será um dos observadores. Sem revelar pormenores do plano, o diplomata norte-americano acredita que Angola vai dar em Setembro uma lição de como realizar boas eleições. Hoje, os norte-americanos comemoram 232 anos, desde que se tornaram independentes da Grã-Bretanha. Uns dos maiores parceiros económicos de Angola, os Estados Unidos da América importaram do país até o ano passado bens e serviços no valor de 1,5 biliões de dólares. Dan Mozena disse, na entrevista que se segue realizada por ocasião do “4 de Julho”, que tem uma visão pacífica, segura, próspera, saudável e democrática para Angola. Os Estados Unidos celebram o seu dia da independência a 4 de julho de 1776, quando as Treze Colónias britânicas na América do Norte fizeram a Declaração de Independência, rejeitando a autoridade britânica, a favor da política de autodeterminação. Esta independência foi oficialmente reconhecida pelo Reino Unido no Tratado de Paris. Os Estados Unidos adoptaram a sua actual Constituição em 1789, que estabeleceu a estrutura básica do governo americano.

SANTOS VILOLA

Jornal de Angola (JA): Qual é a importância que os americanos atribuem às comemorações do “4 de Julho”, no ano em que os Estados Unidos da América terão um novo Presidente em Novembro próximo?
Dan Mozena (DM): Celebramos hoje a nossa independência da colonização imposta pela Grã-bretanha. A democratização dos Estados Unidos começou a partir do dia “4 de Julho” e até hoje, 232 anos depois, estamos a construir a democracia. Para mim, como cidadão americano, este dia é especial pelo facto de acontecer no ano em que testemunhamos uma maturidade da democracia americana. Vimos, pela primeira vez, uma mulher (Hilary Clinton), um afro-americano (Barack Obama) e um hispano-americano (Bill Richardson) como sérios candidatos à presidência dos Estados Unidos da América. Isto reflecte um avanço grande na mentalidade americana, desde o dia em que os Estados Unidos da América se tornaram independentes. Por exemplo, no meu Estado, Iowa (Mississípi), quando os três candidatos estiveram lá a fazer campa­nha, a atenção do eleitorado não foi pelo facto de ser uma mulher, um negro e um hispano-americano, mas as ideias que esses candidatos transmitiram às pessoas.
JA: A política externa norte-
-americana em relação à África conheceu muitos avanços durante a presidência de George Bush, que por duas vezes visitou o continente berço da humanidade. com Barack Obama (indicado pelos Democratas) ou John Mccain (pelos Republicanos), qualquer um destes que vença as eleições de Novembro próximo, a política americana em relação à África e, em particular a Angola, não vai mudar?
DM: Não conheço os programas dos dois candidatos em relação à política africana, nem a Angola, mas diria que qualquer um deles que vença as eleições presidenciais de Novembro terá de trabalhar arduamente para alcançar os progressos do Presidente George Bush em relação à cooperação com a África. O Presidente George Bush teve uma política com acções concretas, baseadas em programas de ajuda americana para o combate ao VIH-Sida, luta contra a malária, etc..
JA: Angola realiza eleições legislativas em Setembro próximo. Tem informações de como decorre a preparação para o pleito?
DM: Angola fez um trabalho excelente durante o registo eleitoral e sei que continua a preparação das eleições de Setembro. Tenho muito prazer que o meu Governo continue a ajudar Angola para que estas eleições sejam boas. Temos muitos programas em curso em Angola em matéria de preparação das eleições e trabalhamos com a sociedade civil, partidos políticos, comunicação social e com a Comissão Nacional Eleitoral, no sentido de ajudar a facilitar o processo eleitoral. Já lá vão 16 anos desde que foram realizadas as primeiras eleições em Angola e a experiência não foi muito positiva naquela altura. Por isso, há muito trabalho de educação cívica que está a ser feito. Estou muito satisfeito por apoiar este processo. Este ano, Angola vai dar um passo em frente muito gigante. A preparação destas eleições, do meu ponto de vista, cria um cenário para boas eleições presidenciais marcadas para o próximo ano e, sobretudo, para as eleições autárquicas. Estes são passos importantes no caminho da democratização e penso que Angola vai mostrar à África e ao mundo como realizar boas eleições. O que aconteceu em Dezembro último no Quénia, em Março e em Junho no Zimba­bwe não vai acontecer em Angola.
JA: Nos contactos que tem mantido com a sociedade civil e partidos políticos nesta fase de preparação das eleições legislativas o que é que tem transmitido?
DM: Em todos os encontros que tenho tido tenho reparado que há unanimidade de que todos querem eleições pacíficas e credíveis. O meu Governo trabalha com vários partidos políticos, com a sociedade civil e com outras organizações estrangeiras como a União Europeia para ajudar a facilitar o processo eleitoral. Estamos a trabalhar num plano de observação eleitoral para Angola, onde enviaremos observadores para as eleições legislativas. O que pretendemos fazer é começar, já na próxima semana, a enviar pessoas para o interior do país, no sentido de a­valiar o processo de pre­paração das eleições, porque observar um processo eleitoral não significa apenas estar presente no dia de votação. Eu, pessoalmente, vou fazer o trabalho de observação. Quero testemunhar este grande passo da democracia em Angola.
JA: Qual é a avaliação que faz da cooperação bilateral institucionalizada no início da década de noventa?
DM: As relações de amizade e cooperação entre os dois países são excelentes. No dia 9 de Janeiro deste ano, quando apresentei as mi- nhas cartas credenciais disse ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que os Estados Unidos da América têm uma visão pacífica, segura, próspera, saudável e democrática para Angola. E o Presidente da República disse-me que partilhava igualmente desta minha visão, pedindo-me para trabalhar com o Governo angolano no sentido de tornar esta visão uma realidade. Este tem sido o nosso trabalho aqui na embaixada. Neste desafio, temos trabalhado com a sociedade civil, sector privado e outros parceiros, especialmente com as companhias americanas que operam em Angola para tornar esta visão uma realidade.
JA: A intervenção da administração americana tem sido muito acentuada no sector social. Pode o Governo angolano continuar a contar com a parceria dos Estados Unidos da América para reforçar acções em vários domínios?
DM: Estamos a ajudar o Governo angolano na luta contra a malária. Este ano o nosso programa contra a malária é de cerca de 18,8 mi-
lhões de dólares. O nosso objectivo é ajudar a reduzir a mortalidade por malária em Angola até 2010. Estamos igualmente a trabalhar em conjunto na luta contra o VIH-Sida. Angola tem um baixo índice de sero-prevalência na região Austral do continente africano e esperamos que consiga reduzir ainda mais. Trabalhamos igualmente noutras áreas para promover a democracia.
JA: Que outros projectos os Estados Unidos da América têm em Angola?
DM: Para além do apo- io às eleições, estamos a trabalhar para apoiar os programas de descentralização administrativa, responsabilidade, transparência e transferência de recursos para o nível local. Estamos a trabalhar com as municipalidades de Cabinda, Bié e Huambo para reforçar as suas capacidades no sentido de promover uma administração efectiva ao nível local. No domínio da agricultura, temos projectos de diversificação económica. Neste particular, estamos em Benguela a trabalhar para a produção de milho e da banana, e na Gabela (Kwanza-Sul) onde actuamos na produção do café.
JA: Em quanto está avaliado o investimento norte-americano em Angola?
DM: Os Estados Unidos estão entre os maiores investidores estrangeiros em Angola e uma das áreas onde investimos é o petróleo. A referência neste sector é a construção, em curso, de um gigante na produção de gás natural liquidificado no município do Soyo, província do Zaire. Este projecto está já a aproximar-se à cifra dos 10 biliões de dólares. Não tenho conhecimento de todos os dados sobre o investimento americano em Angola ao longo destes anos, mas garanto que ronda aos biliões de dólares. É difícil precisar porque alguns dos investimentos têm mais de 15 anos. Os investimentos americanos em Angola mostram que os Estados Unidos da América têm confiança no futuro de Angola.
JA: É possível, pelo menos, quantificar as trocas comerciais entre os dois países?
DM: Os Estados Unidos da América importaram de Angola bens e serviços no valor de 12,5 biliões de dólares em 2007. Em 2002, esta cifra estava calculada em apenas 3,1 biliões de dólares. As exportações dos EUA também cresceram para 1,3 biliões de dólares em 2007. Em 2002, as exportações de bens e serviços rondavam os 374 miliões de dólares.


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