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Bakama
Cabinda é uma região onde o modernismo e o tradicional estão longe de se confundirem. No enclave, a tradição impõe-se nos momentos devidos.
Tchizo, uma aldeia situada no morro, com o mesmo nome, é uma localidade de referência obrigatória na tradição dos cabindas, pelo menos para os residentes na sede capital da província.
No Tchizo, a tradição cumpre-se à risca conforme os preceitos legados pelos antepassados. A transgressão às regras costumeiras nessa região, implica a aplicação de rigorosa sanção.
A par das aldeias do Ngoio, Povo-Grande, Chinzázi e Susso, Tchizo conta também com a presença dos bakama, um dos mais notáveis símbolos da cultura Cabinda.
Os bakama são uma instituição secreta e de carácter excepcional, cujas funções podem ser identificadas a partir das principais ocasiões e circunstâncias das suas exibições, na sua missão de baluarte da pureza e da moral.
A origem dos bakama é remota e praticamente desconhecida, já que se torna difícil determinar com alguma certeza e rigor a sua proveniência quer no tempo quer no espaço.
Sabe-se apenas que, os bakama estiveram no passado ligados ao culto “lusunzi”, um génio da terra, que servia de intercessor entre Deus, Criador e Senhor do Universo (Nzambi Mpungu ou Nzambi Nvandji li Ilu ai Nsi) e os homens, uma vez que Deus estava situado num plano tão superior e sublime e a uma distância tão longínqua que os antepassados não tinham acesso a Ele.
Devido ao seu carácter misterioso e delicado, os bakama, também co-nhecidos por “Zindunga”, enquadram-se numa espécie de uma religião tradicional dos cabindas que intervêm com exibições em cerimónias de empossamento de chefes, actos fúnebres e homenagens, doença prolongada e grave, expiação e purificação, consagração e calamidades naturais e agradecimentos.
Das cinco ocasiões acima referidas que albergam os Zindunga, os de Tchizo são os mais notáveis e referenciados em toda a região. Nas cerimónias, eles aparecem num total de dez mascarados do Tchizo que quando convocados em circunstâncias próprias actuam quer em público, quer em privado.
A indumentária com que se apresentam consta, invariavelmente, de folhas secas de bananeira, cuja máscara é ornamentada em panos. Depois de cada exibição, as folhas são queimadas e as máscaras guardadas em sítio próprio longe do alcance des pessoas que não fazem parte dessa organização secreta.
Os dez mascarados do Tchizo são chefiados por Mabobolo, que tem no cimo da máscara o carapuço Nzita e uma bengala, que simboliza a condição de superioridade e a qualidade de chefe.
São os casos de Mampana (leopardo), Tchilamba (planta rastejante), Matona Mambuembu ou Kumbunkutu (pintas vermelhas), que, nas actuações é o mascarado que mais se movimenta e finge agredir os presentes, o Vanga Nsi (faz a terra), Mbenge Meso (olhos vermelhos) e o Duengie Meso (olhos cerrados).
Há também o Makaia Makonde Konde (folhas secas de bananeira), Benvu Lumuana (filho obediente e respeitador) e o Ntendekele.
Alberto Coelho
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